segunda-feira, 5 de julho de 2010

Calabar - por Heron Coelho

Calabar - Breviário - direção Heron Coelho - homenagem a Ivan Kraut (canção Olhos Frios)


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Praia na Paulista - a última vez em que nos encontramos - por Paula Aviles

Há pouco tempo fez exatamente 1 ano que encontrei o Ivan pela última vez. Andei pensando muito nisso...
A saudade é enorme. Ela dói na lembrança das promessas de encontro, nos scraps de saudade combinando de um dia combinarmos esse encontro...
E nosso último encontro, no final, foi por acaso. Nosso último abraço enorme e apertado...
Voltando de um passeio com o meu namorado, andando distraída numa noite quente na Paulista, sou surpreendida por aquela voz linda e enorme: PAULA ADRIANA ARRAYA AVILES!!
Gritando meu nome inteiro... tão querido! Só ele poderia fazer coisas assim...
Nos abraçamos muito forte. Como era sempre o abraço dele... todo intenso. Ele INTEIRO todo intenso, do grito de encontro às palavras de carinho da despedida. A daí tem abraço no meio, beijo na mão, às vezes cantar o trecho de uma música pra dizer melhor a idéia...
Ele tava lá, todo praiano, cadeira, guarda-sol... Tinha sido o dia da Praia na Paulista.
Coisa ótima, que foi a cara dele participar. Ver o sol da Paulista com a alegria de estar na praia. Unir mundos sem o menor esforço: praia e avenida movimentada. Simples. Ser feliz.
Te amo, Ivan. Quero sentir seu abraço praiano pra sempre. Que eu digo ser o último não acreditando em mim, na verdade. Porque lá no fundo acho mesmo que a gente se encontra de novo, agora - em momentos como aquele que tive lá em Minas, em inspirações de vida que sua existência me dá, e em tantas outras coisas - e depois também.

Vídeo sobre a Praia na Paulista em que aparece o Ivanzinho: http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u529659.shtml

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

PENEREI FUBÁ por Paula Aviles


Ivan e eu em Diamantina, há uns 10 anos... 




No último novembro fui pra um congresso de arte-educação lá em Belo Horizonte. Todo fim do dia de congresso tinha uma apresentação musical. 
Na apresentação do último dia, velhinhas mineiras cantaram músicas folclóricas de Minas. 
Logo que elas entraram e começaram, fiquei toda tocada por algumas lembranças, mas foi destruidor mesmo quando, depois da primeira música, começaram a cantar "Penerei fubá". O choro me veio tão forte e repentino que nem tive tempo de sair dali pra chorar num canto... Soluçava e me desmanchava em lágrimas... 
A música me lembrou o Ivan... Mais do que isso, a música me levou até o Ivan, no tempo em que ele fazia a peça "Eu me lembro" no IMES. Tempo próximo ao que nós nos conhecemos... 
Eles cantavam "Penerei fubá" na peça. Estavam muito ligados a Minas, e principalmente ao Vale do Jequitinhonha nessa época. Pro Ivan o Vale era e continuou sendo muito precioso. E lembrei, e vi, na minha lembrança, o Ivan se emocionando com uma senhora pobre do Vale, que, em agradecimento à presença dele ali, com o grupo de teatro - eles fizeram uma viagem pelo Vale com a peça -, ofertou tudo o que tinha, toda a sua riqueza: uma bacia cheia de laranjas. O Ivan se esbaldou de chorar de emoção com o gesto dessa senhorinha. Eu não estava lá, mas me lembro sempre da comoção dele ao contar...
E lembrei da nossa viagem a Diamantina. Eu, ele, a Ivany, o Thiago, a Ândrea, o Kléber e a Renata.
Foi tão bom... tão bonito... Cantamos as músicas de Minas (e tantas outras) com os mineiros - tão receptivos - que encontramos pelos bares à noite, vimos as pastorinhas  (que se vestiam como as senhorinhas da apresentação do congresso estavam vestidas) cantarem, o Lageado, Milho Verde... e eu conheci um pouco mais do que o Ivan tanto amava em Minas. E também passei a amar muito mais, a querer as coisas de lá como eram queridas pelo Ivan (pelo menos naquela época).
E todas essas lembranças estavam dentro do meu choro de saudade apertada...
De ouvi-lo contar da senhora das laranjas...
De cantar com o Ivan...e ouvi-lo cantar...

"Penerei fubá
 Fubá caiu

Eu tornei peneirar
Fubá sumiu
Ai, ai, ai, foi ela que me deixou
Ai, ai, ai, porque não me tem amor


Eu mandei vir da Bahia
Duas tesoura de ouro
Uma pra cortar ciúme
Outra pra cortar namoro


Eu joguei meu lenço branco
Na porta do cemitério
Se não for pra casar
Chatear também não quero

Lá do céu evem caindo
Treis cartinha de abecê
A do meio evem dizendo
Que eu só caso é com você

Eu joguei meu barco n'água
Carregado de fulô
Não tem coisa mais bonita
Que os olhos do meu amor."





Paula Aviles 


 

domingo, 27 de dezembro de 2009

Pato Selvagem - por Júlia Masson

Ivan Kraut - um pato selvagem

As águas de março há tempo tinham anunciado o verão. E para não nos esquecermos da promessa de vida, elas caíam sobre a cidade lavando e trazendo a esperança.
Foi assim, num dia em que a chuva se anunciara, que ele chegou...
Cabelo de cachos soltos despenteados pelo vento.
Nas mãos nervosas, um enorme guarda chuva preto.
Os pés calçavam um sapato que brigava com o moleton e a camisa, ambos devem ter saído do armário para aquele compromisso, talvez pensando em dar um ar sério.
Um olhar que parecia investigar...
Um sorriso que não se abria...
Ao ser anunciado, levantou-se.
Pequeno... as pernas tortas... o andar com os pés voltados para dentro fazia o corpo gordinho gingar lembrando um pato que se esforçava para locomover-se em terra...
Era um professor participando de num processo seletivo. Eu, a coordenadora que o entrevistaria.
Formação? Matemática!
Experiência? Nenhuma!
Porque a vaga deve ser sua? Porque aprendo rápido, se você quiser me ensinar!
E eu quis!!!
Começara o compromisso de ensinar e aprender...
Não pense que neste exercício ele foi um aprendiz tranqüilo...
Tinha rompantes de fúria, questionava...discordava...brigava...
Refletia... buscava ... reconhecia ...
Sorria! Gargalhava!!!
As horas de estudo, obrigatoriamente, passavam dos cálculos à filosofia, do raciocínio à poesia, da metodologia à canção, da avaliação ao Divino...
Era intenso nas relações com os seus alunos. Explicava com tamanho empenho que não concebia alguém dizer que não entendera. Tornava-se impotente e ranzinza... não compreendia que o ritmo não era o dele, e sim o do aluno...
Numa destas crises, surgiu sua marca registrada na escola... Aleluia!!!!
Sua voz reverberava pela escola quando alguém superava a dificuldade e compreendia o conceito matemático trabalhado... era um cântico de louvor... por ele e pelo aluno!!
Nossa relação se estreitava...
Quando ele, da minha porta se aproximava, eu reconhecia pelo som dos seus passos qual rompante viria... muitas vezes eu só ouvia...
Era uma expectadora do seu texto...era o monólogo do professor em fúria...
Noutras era uma poesia pra alegrar o meu dia...noutras era canção entoada, um hino matinal!!!
Como dissera na entrevista... ele aprendia rápido...fazia com excelência o que há pouco desconhecia...
Feito pato selvagem, rápido no seu desenvolvimento e conhecedor do tempo da migração, ele anunciou sua partida...
Num rompante adentrou a minha sala, ajoelhou-se aos meus pés... eu nada falei... fui expectadora de um monólogo do professor agradecido por eu ter aceito ser sua professora...
Chorei...Choramos abraçados os cinqüenta minutos, tempo que durava a aula!
Eu compreendi o ritmo que regia sua migração.... aquele ritmo não era o meu...
Ele se foi...
As águas de março que fecharam o verão, deixaram-no como uma promessa vívida no meu coração...
Ele saiu da escola. Nunca da minha vida!!!
Pato selvagem aguardando o tempo da migração... as pernas tortas...
Devia ser mesmo difícil caminhar nesta Terra...


Júlia Masson 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Paulão da alma azul!

Escuto sua voz me chamando de "lindona" e de "Paulão" e sorrio encantada. Ele também dizia que eu tenho a "alma azul" (!). 
O Ivan, aliás, em seu carinho grandioso pelos amigos sempre inventava dessas...
Lembro que ele chamava uma amiga nossa - Sueli - do teatro lá no Imes, de "minha diva", o que imediatamente iluminava um grande sorriso nela. Era assim... e tenho certeza de que ele fazia isso com muitos e muitos amigos... certamente mesmo sem planejar, mas inventando esses "bordões" particulares que, para mim, eram maneiras de dizer a cada encontro para cada amigo que cada um era especial. 
Eu me sinto e sempre me senti orgulhosa por ter a alma azul! E mais ainda por tê-la em altos brados da voz poderosa dele, que, para sempre, vai ecoar no meu coração.




Paula Aviles 

sábado, 14 de novembro de 2009

Se é para falar do Ivan, tem que ser com intensidade e bom humor.

 É impressionante como algumas pessoas são tão marcantes na nossa vida que, mesmo depois de já terem evoluído pra outro tipo de existência, continuam nos servindo como referência neste mundo aqui.

O Ivan foi um dos grandes responsáveis pela minha transformação de Menino-Inferno para o Felippe adulto. Ele, que por tantas vezes me socorreu nos próprios braços (me carregou da Loca até a sua casa na Fernando com a Bela Cintra e ainda me deu banho enquanto eu soltava álcool pelos poros e pela boca) continua vivo dentro de mim, me dando vários conselhos e broncas.

Alguém já discutiu com o Ivan? A cena se assemelha a uma briga entre a Suzana Vieira e a Renata Sorrah, mas com um toque de Almodovar, que é para ficar mais dramático. Lembrem que eu disse que o Ivan tem intensidade, né!

Eu aprendi a querer mais da vida, e a querer ser mais também. “Mais” é uma palavra que combina com o Ivan: ele canta mais, argumenta mais, explica mais, tem mais amigos, conhece mais pessoas interessantes, é mais carinhoso, tem mais personagens e ainda me faz aprender sempre mais.

Ivan, te amo e estou com você em qualquer lugar. Obrigado por existir dentro de mim.

Beijos.


P.S- Eu apenas gostaria de citar que o Ivan faz a melhor imitação de Mulher-Maravilha do universo, melhor que a própria Linda Carter.


Felippe Canale
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